Segundo caso de Newcastle impacta setor que já exportou R$ 43 bilhões em 2026

A confirmação de um segundo foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Coronel Freitas, no oeste de Santa Catarina, reforçou a vigilância sanitária em uma...

Segundo caso de Newcastle impacta setor que já exportou R$ 43 bilhões em 2026

A confirmação de um segundo foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Coronel Freitas, no oeste de Santa Catarina, reforçou a vigilância sanitária em uma cadeia que já enfrenta restrições às exportações. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou, na noite de domingo (25.10), que o estabelecimento está dentro da área de restrição do primeiro caso, em Nova Itaberaba, e que a eliminação sanitária das aves foi iniciada.

O episódio tem alcance econômico nacional. Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 4,421 milhões de toneladas de carne de frango, com receita equivalente a R$ 43,4 bilhões, considerando o dólar a R$ 5. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o volume cresceu 14% e o faturamento avançou 21% em relação ao mesmo período de 2025.

Esses valores dimensionam o mercado que depende da preservação sanitária dos plantéis. Não representam prejuízo causado pelos focos: ainda não há, nas notas oficiais consultadas, um cálculo consolidado das perdas. O efeito financeiro dependerá da duração das restrições, dos produtos atingidos e da possibilidade de direcionar os embarques a outros compradores.

Santa Catarina tem participação expressiva nesse comércio. Em setembro, respondeu por 111 mil das 500,3 mil toneladas de carne de frango exportadas pelo Brasil, cerca de 22% do total. Embora os focos tenham ocorrido em perus, os protocolos comerciais podem alcançar outros produtos avícolas.

No balanço divulgado pelo Mapa em 21 de outubro, México e Malásia mantinham suspensões para produtos provenientes de todo o Brasil. China, Arábia Saudita e Chile aplicavam restrições a Santa Catarina, com diferenças entre os produtos abrangidos. No caso chinês, a limitação ao Estado foi definida após negociação com o governo brasileiro.

A regionalização permite preservar o comércio das áreas não atingidas. Para produtores e indústrias, isso reduz a abrangência da interrupção, mas não elimina os custos nas propriedades interditadas nem os efeitos sobre transporte, abate e programação dos lotes.

O primeiro foco foi confirmado pelo Mapa em 18 de outubro, em Nova Itaberaba. O governo declarou emergência zoossanitária por 60 dias nesse município e em Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Segundo a nota de domingo, a localização do segundo estabelecimento exigiu apenas um pequeno ajuste na área de restrição.

O ministério também esclareceu que a detecção de um vírus em pombos fora dessa área não tem relação epidemiológica com os focos comerciais. Pelas definições da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), essa ocorrência em pombos não configura um novo foco da doença de Newcastle.

Sinais exigem comunicação imediata

Newcastle é uma doença viral altamente contagiosa que afeta diferentes espécies de aves. A gravidade varia conforme a característica do vírus e as condições dos animais. Nas formas mais severas, provoca mortalidade elevada e perdas de produção.

A transmissão ocorre pelo contato com aves infectadas, secreções respiratórias e fezes. Água, ração, equipamentos, veículos, roupas e calçados contaminados também podem transportar o agente entre instalações. Por isso, impedir a entrada de aves de vida livre e controlar a circulação de pessoas e materiais são medidas centrais de proteção.

Entre os sinais de alerta estão espirros, dificuldade para respirar, falta de apetite, prostração, diarreia esverdeada e queda na produção de ovos. Também podem aparecer tremores, torção do pescoço, dificuldade para caminhar e paralisia. Aumento repentino de mortes, mesmo sem outros sintomas evidentes, precisa ser comunicado.

Esses sinais não permitem ao produtor fechar o diagnóstico. Outras enfermidades, inclusive a influenza aviária, podem apresentar manifestações semelhantes. A confirmação depende da investigação veterinária e de exames laboratoriais.

Ao perceber uma suspeita, o produtor deve avisar imediatamente o serviço oficial de defesa agropecuária e o médico-veterinário responsável pela criação. Não deve esperar a mortalidade aumentar nem transportar aves doentes ou mortas para buscar atendimento.

Até receber orientação, é necessário restringir o acesso ao local e evitar a saída de aves, equipamentos e materiais potencialmente contaminados. A coleta de amostras, a destinação das carcaças e as medidas de controle devem seguir as determinações das equipes sanitárias.

Na prevenção, os cuidados incluem manter telas e instalações em boas condições, proteger água e ração, controlar roedores e insetos e cumprir os procedimentos de limpeza e desinfecção. As medidas valem tanto para granjas comerciais quanto para pequenas criações.

O Mapa reafirma que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro. As aves da primeira propriedade interditada não foram destinadas à produção de carne para consumo.

Em Santa Catarina, suspeitas podem ser comunicadas à Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) pelo 0800 643 9300 ou nos escritórios locais. Em todo o país, a notificação pode ser feita ao órgão estadual de defesa agropecuária ou pelo sistema e-Sisbravet, do Ministério da Agricultura.

Fonte:rotamt

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