Mato Grosso exportou 566,5 mil toneladas de carne bovina entre janeiro e setembro de 2026 e faturou cerca de R$ 17 bilhões, considerando o dólar a R$ 5. Segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), os embarques chegaram a mais de 90 países, com a China absorvendo quase metade do volume.
O resultado mostra a dimensão que o mercado externo ganhou para a pecuária estadual. Em 2001, Mato Grosso vendeu 24,1 mil toneladas a 29 países. Agora, em nove meses, embarcou mais de 23 vezes o volume daquele ano inteiro.
A receita das exportações em 2001 foi equivalente a R$ 237,5 milhões, pela mesma taxa de conversão. A comparação dos valores é nominal, sem descontar a inflação dos últimos 25 anos.
A China foi decisiva nessa mudança. Sem participação nas compras da carne mato-grossense em 2001, o país asiático adquiriu 252,3 mil toneladas entre janeiro e setembro deste ano, o equivalente a 44,5% dos embarques estaduais.
Há 25 anos, o principal comprador era o Egito, com 9,7 mil toneladas e aproximadamente 40% das vendas. A ampliação para mais de 90 destinos abriu alternativas comerciais, mas a concentração das compras na China mantém o desempenho das exportações bastante ligado às decisões do mercado asiático.
Para o produtor rural, essa presença internacional amplia a demanda pela carne processada pelos frigoríficos do Estado. O efeito sobre a arroba, entretanto, também depende da oferta de animais, do consumo brasileiro e das condições de negociação com a indústria. Exportar mais não significa, automaticamente, aumentar a margem dentro da fazenda.
Mato Grosso também tem peso expressivo no abastecimento nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado respondeu por 17,1% dos bovinos abatidos sob inspeção sanitária no Brasil em 2025, mantendo a liderança entre as unidades da Federação.
A expansão das vendas externas ocorreu ao longo de um período de mudanças sanitárias e produtivas. Em 2001, Mato Grosso recebeu o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa com vacinação. A condição contribuiu para ampliar o acesso a mercados, embora cada destino mantenha exigências próprias para autorizar as compras.
Desde então, houve um novo avanço: a vacinação foi suspensa em 2023, o reconhecimento nacional como zona livre sem vacinação veio em 2024 e a certificação internacional dessa condição ocorreu em 2025.
Nas propriedades, o período foi acompanhado por investimentos em melhoramento genético, recuperação de pastagens, suplementação alimentar e sistemas mais intensivos. O Imac associa essas mudanças ao aumento da produtividade e à melhoria dos animais destinados ao abate.
O crescimento das exportações mostra o espaço conquistado pela carne mato-grossense. Para sustentar esse mercado, a cadeia depende da manutenção dos cuidados sanitários, do atendimento às exigências dos compradores e da abertura de novos destinos que reduzam a concentração das vendas
Fonte: Pensar Agro
Fonte:rotamt



