A citricultura brasileira registrou 11.460 contratações com carteira assinada entre julho e agosto de 2026, aumento de 9,9% sobre os mesmos meses do ano passado. Foram 1.033 admissões a mais, segundo levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), elaborado com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
São Paulo concentrou 8.953 contratações, ou 78,1% do total nacional. O resultado representa crescimento de 10,7% sobre as 8.084 admissões registradas no mesmo período de 2025 e mantém o Estado como principal mercado de trabalho da atividade.
Minas Gerais também ampliou as contratações. Foram 1.585 admissões, ante 1.355 um ano antes, avanço de 17%. Juntos, os dois estados responderam por aproximadamente 92% das entradas de trabalhadores no setor.
O crescimento, entretanto, não foi uniforme. Mato Grosso do Sul passou de 115 para 283 contratações, alta de 146,1%, embora ainda represente uma parcela pequena do total brasileiro. No Paraná, o movimento foi contrário: as admissões caíram de 407 para 205, redução de 49,6%.
Os números mostram o movimento de contratação, mas não significam a criação de 11.460 postos adicionais. Para conhecer o saldo de empregos, é necessário descontar os desligamentos ocorridos no mesmo período, informação que não acompanha esse recorte do levantamento. Os dados também não permitem separar quantos contratos são temporários e quantos terão continuidade após a safra.
A concentração das admissões em São Paulo e Minas acompanha a localização do principal cinturão produtor de laranja para suco do país. A atividade demanda trabalhadores para a colheita e para os cuidados com os pomares, com necessidades que variam conforme o calendário e as condições de cada propriedade.
O aumento das contratações ocorre em uma temporada cuja produção de laranja foi revista para cima, mas permanece abaixo da anterior. Em setembro, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) estimou a safra 2026/27 do cinturão paulista e do Triângulo e Sudoeste Mineiro em 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial de maio, favorecida pelo ganho de peso dos frutos. Ainda assim, representa aproximadamente 10,2% menos que as 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada passada.
Os dois levantamentos medem aspectos diferentes da atividade. As admissões abrangem a citricultura nacional, enquanto a estimativa do Fundecitrus trata da produção de laranja no cinturão de São Paulo e Minas Gerais. Portanto, o avanço das contratações, isoladamente, não comprova expansão da colheita nem aumento da rentabilidade dos produtores.
Fonte: Pensar Agro
Fonte:rotamt



